A sr.ª Montémolly não responde nada; escutou com attenção as ultimas palavras do seu amante, e isso carrega-lhe de sombras a physionomia, emquanto que Casimiro, enche um copo de Champagne, que em seguida bebe aos golinhos, achando que é infinitamente mais agradavel beber assim o vinho do que ingurgital-o, e nós somos completamente da seu parecer; não vemos que vantagem pode haver em fazer da bocca jogo do tonel.
Entretanto, espantado do silencio que guarda a sua amante, e do ar pensativo que substituiu o prazer que lhe animava os olhos, depois de ter acabado de beber o Champagne, Casimiro diz-lhe:
—Minha boa amiga, o que é que tem? vejo-a com um ar tão triste! está incommodada?
—Não, meu amigo, não, não é isso...
—Então temos outra coisa? Aind’agora parecia-me, tão alegre...
—Ah! Casimiro! foi o que o senhor acaba de dizer que me estragou a minha felicidade...
—O que foi então que eu disse para produzir esse effeito?
—Tudo coisas muito justas; mas eu comprehendi-o perfeitamente, e além d’isso, o que me quiz fazer perceber é naturalissimo.
—O que é que eu quiz fazer-lhe perceber? Affianço-lhe que não entendo!
—Finge que me não comprehende! O senhor, falando-me das mulheres que enriquecem um homem casando com elle, quiz dizer-me: Por que não faz a senhora outro tanto, se tem muito a peito ver-me gosar da sua fortuna sem remorsos?...