—Eu? nunca tive similhante pensamento. Oh! juro-lhe que se engana. É verdade que disse isso, mas foi sem a intenção que suppõe.
—Oh! meu amigo, ainda que fosse com essa intenção, onde estaria ahi o mal? Pensa que não tenho dito commigo desde muito tempo: Ah! como eu me daria por feliz em ser sua mulher, como me sentiria ufana de usar do nome d’elle! E se fosse possivel isso, não lhe teria eu já pedido que se ligasse a mim por laços indissoluveis?... Se o não tenho feito, ai! é por que é impossivel! Olhe, meu amigo, não quero ter segredos para o senhor... Disse-lhe que era viuva, e não é verdade! sou casada, casada realmente, e meu marido ainda está vivo!
—Ah! será possivel. Espere! espere! então vou beber mais Champagne... o sr. Montémolly está vivo?
—Esse nome não é o de meu marido; ao separar-me d’um homem, que eu nunca tinha amado, com o qual me era impossivel viver, apressei-me a abandonar o nome d’elle, para tractar de esquecer que era ainda sua mulher.
—Tinha para isso todo o direito. E o que faz esse senhor? Oh! se a contraría falar mais em seu marido, fiquemos por ahi. Por quem é, não se embarace, fiquemos por ahi!
—Não, visto que principiei, estimo muito agora contar-lhe como este casamento se fez, e por que se rompeu.
—Fale; o seu Champagne é delicioso; sou todo ouvidos.
—Vou confessar-lhe coisas... que não tenho dito a ninguem! mas não quero ter nenhum segredo mais para com o senhor.
—Não me diga senão o que lhe apraz que eu saiba: eu não lhe pergunto nada!
—É justamente por isso que lhe quero dizer tudo. Eu, aos dezoito annos, era muito bonita!