—Creio bem que sim, pois que ainda o é, e ha-de sel-o sempre...
—Cale-se! Não tinha outros parentes senão uma tia mui pouco amavel, que ralhava commigo constantemente, mas que vigiava bastante mal. Um rapaz viu-me á janella, e namorou-se de mim. Comprou a minha creada grave, que o introduzia em nossa casa quando minha tia saía. Elle era um rapaz muito bonito... em summa...
—Muito bem, o resto adivinha-se, passemos os pormenores.
—Mas o rapaz era militar, teve de partir, de se ir reunir ao exercito. Estava-se então em guerra. Quando elle partiu, a minha falta havia tido consequencias...
—Diabo! diabo! o negocio complica-se.
—Escrevi ao meu amante participando-lhe o meu estado; elle respondeu-me que assim que voltasse se apressaria a reparar a minha falta, casando commigo. Mas, pobre de mim! não devia voltar! foi morto na primeira acção...
—Pobre rapaz! ahi fica a senhora sem saber o que ha de fazer. E a tia?
—Era-me impossivel occultar-lhe o meu estado; ella gritou muito. Mas, como a fortuna que eu possuia me vinha de minha mãe, como eu era mais rica de que ella, e como, se eu a deixasse, ella teria de levar uma vida mais modesta, apaziguou-se. Fui para o campo; alugámos uma casinha nos arredores de Montmorency; foi lá que dei á luz uma menina, que confiei a uma mulher de Pierrefite.
—Em tudo isso não vejo seu marido...