—Para ganhar dinheiro...

—Não sou eu a sua thesoureira?...

—É justamente porque eu preferiria ser o meu proprio thesoureiro. Ia menos mal na pintura a oleo, fiz tambem alguns retratos bastante parecidos...

—Fazer retratos! lembra-se d’isso! para ter modelos, olhar muito para mulheres, estudar-lhes o sorriso, os olhares! Não quero que faça retratos, ouve? prohibo-lh’o expressamente.

—E a paizagem? oh! a paizagem é uma coisa bem innocente!

—Com os pintores não ha nada innocente; para a paizagem, é mister ir ao campo procurar pontos de vista, ou carneiros e pastoras que os guardam.

—E são lindas as pastoras dos arredores de Paris! e graciosas! como as mulheres que alugam cadeiras.

—Deixe-me em socego com a sua pintura.

—Prefere que eu escreva para o theatro? Ah! deve ser uma grande felicidade ver a gente representar as suas peças, ouvir-se applaudir...

—Fazer comedias! que horror! um auctor passa a vida nos theatros, nos bastidores, com as actrizes, faz a côrte a todas, e, promettendo-lhes papeis, faz com que lhe dêem attenção; o senhor não saíria mais dos bastidores, passaria alli a sua vida. Ah! peço-lhe por tudo quanto ha, não pense em fazer peças de theatro.