—Não gosto que se graceje com os creados; isso torna-os familiares.

—Porventura gracejei com a sua creada?

—Sem duvida; faz trocadilhos a respeito do café...

—Minha querida amiga, com a senhora nunca a gente sabe como ha de falar a uma mulher; em tudo vê maldade, espero que não pense que arrasto a aza á sua creada...

—Não digo isso; mas o senhor não póde dizer que ella seja muito feia...

—Oh! tambem não me fará crer que é bonita! Um nariz acachapado, cabello ruivo, é um bom derriço para algum policia.

—É uma excellente rapariga, é-me muito affeiçoada; quando estou doente anda sempre n’uma roda viva a tractar de mim...

Adriana traz o café; emquanto ella dispõe as chicaras, diz a ama:

—Adriana, eu estive hontem muito doente, não é verdade?

—Oh! sim, minha senhora! eu estava bem afflicta. A sr.ª Florentina disse-me que lhe fosse buscar o remedio á botica, corri n’um pulo; mas havia lá tanta gente, tive que esperar muito tempo; por mais que eu pedisse que me despachassem dizendo: «É para minha ama, a senhora está muito doente» aquelles senhores da botica estão tão habituados a trabalhar para doentes, que não se apressam nunca...