—O que está aqui fazendo deitado na rua?

—Bem viu que estava dormindo. Então agora já se não pode dormir socegado?

—Não se dorme deante da porta d’uma casa.

—Mas eu sou cá do predio, é o meu domicilio politico... nas aguas furtadas...

—Se mora aqui, porque não entra para sua casa em vez de estar ahi deitado? Estaria muito melhor na sua cama.

—Na minha cama!... é fresca a tal minha cama! um enxergão e milhares de percevejos... nada mais...

—Mas, emfim, na rua não se dorme; se vem por ahi alguma patrulha, algum policia, levam-n’o para a estação.

—Isso e o que eu quero é tudo um... estou á espera d’elles. Que afinal quem tem a culpa é o maroto, o patife do Chausson, que me não abre a porta.

—Ah! o porteiro não lhe quer abrir a porta?

—Sim, Chausson, o meu creado.