—Bom! aqui tem a porta aberta... Então agora fica na rua?
O tal individuo, a quem o porteiro chamou Rouflard, parece hesitar em abandonar a sua posição horisontal, decide-se comtudo a fazel-o, ergue-se ou antes enfia pela porta dentro aos trambulhões, e vae agarrar-se á parede. Chausson, o porteiro, levanta-se, veste uma jaqueta, que lhe serve de chambre, e vem com um castiçal na mão tornar a fechar a porta e offerecer luz ao seu joven inquilino para subir a escada.
Casimiro está entretido a examinar o homem que se acha encostado á parede, contra a qual muito lhe custa a segurar-se, porque está completamente ebrio.
—Se o senhor quer levar esta luz para subir a sua casa... sinto immenso tel-o feito esperar; eu bem ouvia tocar, mas pensava que era ainda o Rouflard, e por isso é que não abria...
—Vejam este brégeiro! queria deixar o amo na rua... n’isso reconheço bem o meu antigo lacaio...
—Cale-se, Rouflard; quando um homem se põe n’esse estado, recolhe-se antes da meia noite, ao menos.
—Mas se eu me quero recolher mais tarde, porque assim me dá na vontade, tens obrigação de me abrir a porta, percebeste tu, meu creado?
—Graças a Deus, já não sou seu creado! esse tempo já lá vae.
—Quando me bebias os licores!
—Tu não me pagavas as minhas soldadas, portanto era forçoso que eu apanhasse alguma coisa para me sustentar... mas tu comias tudo!