Ora, a Talitha é composta de 1873 versos de varios metros, predominando o alexandrino.
Para demonstrar opulencia de rima, o obscuro autor da Talitha reservou as suas modestas poesias esparsas, entre as quaes figura a Ode ás Arvores, dedicada a Coelho Netto, ode essa que se compõe de 312 alexandrinos, e não tem sequer uma rima repetida, além da grande abundancia de vocabulos cuja difficuldade de rima é conhecida.
Um dos zoilos da Talitha, com o intuito de provar que os tres actos d'esse evangelho são indigentes de rima, nota que no 2.° acto a palavra enferma rima com erma e no 3.° acto tambem enfermo rima com ermo.
E o zoilo exclama:
«Para Enfermo o poeta encontrou apenas a rima ermo, uma rima pobrissima.»
Mais pobre de espirito é o critico.
A Talitha compõe-se de 1873 versos; quatro vezes apenas o maldizente encontrou a rima em erma, ainda assim uma vez no masculino e outra no feminino, e fulmina a censura:
«o poeta só encontrou a rima ermo para enfermo, rima pobrissima.»
Ignorante, perverso, futil, ou lorpa.
Pois bem, o autor da Talitha consultou os diccionarios de rima de Castilho e de Alencar, duas autoridades na materia, e para enfermo apenas encontrou ermo, termo e estafermo. As duas primeiras foram applicadas, uma no segundo, outra no terceiro acto.