Setembro de 1856.
[XXIII]
Á morte da Ex.ma Sr.a D. M. Henriqueta de Campos Valdez
Bella, graciosa e timida,
Na aurora da existencia
Rosa de grata essencia
Sorrias em botão!
A luz do sol explendido
Vinha inundar-te a frente,
Suave e docemente
Beijar-te a viração!
Como os affectos intimos
Da maternal ternura
Enchiam de ventura,
A tua vida em flor!
E como a face candida
Serena, reflectia
A magica poesia
D'ess'alma toda amor!
Dos pensamentos lugubres,
Das ambições da terra,
Das maguas que ella encerra,
Dos crimes que contém,
Jámais a teu espirito
Chegará o som profundo,
Anjo descido ao mundo
Só para amar o bem!
Um dia, a immensa abobada,
Azul e resplendente,
Toldou-se de repente
Ao sopro do tufão!
Era o primeiro fremito,
Nuncio da tempestade,
Que vinha sem piedade
Rosa, lançar-te ao chão.
Ao ver abrir-se o tumulo
Sorrias sem receio,
E se a teus olhos veiu
Funda expressão de dor,
Foi quando a boca tremula
Da mãe que te perdia,
Á tua enfim se unia,
Com mais profundo amor!
Então, como ella, pallida,
Soltando o extremo alento,
Volveste num momento
Á gloria perennal!
E logo fria, gellida,
Sem ter nem cor nem vida,
Par'ceste adormecida,
No seio maternal!
Setembro de 1856.
[XXIV
]
PARISINA
A Pedro Jacome Corrêa
MEU CARO AMIGO.
A idéa de emprehender a imitação d'este bello romance do autor do Child-Harold, devo-a ao meu amigo. A obra teria ficado em meio, se não fossem os desejos que manifestou de vel-a concluida. É por isto que tomo a liberdade de lh'a offerecer agora que vou dal-a ao publico.