Com o succedido, é mais que natural, como já tive occasião de presagiar aqui mesmo, que sua excellencia se risse expansivamente da nossa ingenuidade quasi infantil, saboreando com as maiores doçuras os recentes favos de mel da respectiva lua, que por pouco a não allumia mais vezes do que a sua collega planeta o faz á terra.

Mas se ella se desse todos os dias á improba massada de consultar os ditos jornaes, e os achasse sempre muito caladinhos, mudos e serios, sem caírem na tolice inaudita de lhe popularisar o nome—oh! então é que deveria ser bom vel-a, mesmo que fôsse à vol d'oiseau!...

Se bem que já não seja das mais notaveis frescuras, murchava completamente, e repelliria furiosamente horrorisada, os supracitados favos.

O editor parisiense, esse—desgraçado!—bradaria percorrendo agitado o seu estabelecimento pacifico, á imitação de Henrique IV.

Ventre—gris!

E maldiria nos seus justos furores do negocio mal afortunado, as rabinices litterarias das princezas idiotas.

IX

Sim! hei de sempre maldizer todos os que desprezáram aquelle impagavel silencio desprezado.

Porém o mal está feito, irremediavelmente feito; nós prestamo-nos gostosamente duas vezes ás gargalhadas feminis d'uma frivola colleccionadora d'apontamentos producentes, e agora caminhamos ahi por essas ruas já impavidos, cheios de satisfação de nós mesmos, soberbos...

O que resta agora, para se sustentar uma tola questão eterna, é que sua excellencia, já despida burguezmente das gallas de princeza, escreva tambem um folheto em resposta aos nossos, e aos artigos verrinosos que a nossa imprensa teve a generosidade de lhe conceder. Gostava de ver isso, só para ter occasião de apreciar até onde podem chegar os furores dos brios patrios... O que posso asseverar francamente é que o feliz editor publicava-lh'o logo, com reconhecimento enorme, certo da boa pechincha que lhe caía em casa, e mandando immediatamente para Lisboa metade da edição—ou mais.