Um dia, já sem forças, caiu á porta de uma fazenda, d’onde saíra descoroçoado de todo, porque depois de ter passado um dia sem comer, acabava de ser despedido pelo cazeiro, dizendo-lhe, que a fazenda do seu patrão não era couto de vadios.
Luiz Tiburcio poude, envergonhado e saltando-lhe as lagrimas pelos olhos, andar a alameda e sair o portão que do pateo conduzia á estrada; mas, ao voltar para o caminho, sentiu-se tão quebrado, tão sem animo, que atirou comsigo para o chão, resolvido a não se levantar mais d’alli.
Encommendou-se a Deus e esperou a morte resignado.
O sr. José Matheus, o dono da quinta, que assim se chamava por signal, andava por fóra, quando Luiz fôra pedir trabalho a Valle de Figueiras. De certo, se tivesse visto a lazeira do rapaz o recolheria por alguns dias ao menos, e lhe mandára dar de comer, pois era homem rasgado e de bom coração; mas só tarde voltou de uma outra fazenda, onde fôra, e era já muito escuro, quando se aproximou de casa.
Luiz estava estirado no caminho. José Matheus entretido com os seus pensamentos não deu por semelhante cousa e recolheu passando junto do pobre moço.
Caía geada, como não havia memoria, e o frio era de estalar.
De manhã cedo os primeiros, que sairam encontraram-n’o sem apresentar signal de vida e accudiram á fazenda a dar rebate.
O sr. José Matheus foi o primeiro, que correu junto da pobre creança, viu-a n’aquelle mísero estado e teve dó de tão grande desgraça em tão verdes annos. Elle tambem havia provado do pão que o demonio amassou, e antes de chegar a ser independente fôra um pobre de Christo.
Mandou carregar com o Luiz para uma cama, e cuidou em vêr se lhe dava vida nova.