—Entre, patrão, bradou-lhe o tio Joaquim, não está tempo para cerimonias, se isto continua lá se vão todas as sementes com a cheia. Parece um diluvio. Largue o capote e o chapeu que traz n’uma sôpa, embrulhe-se ahi n’uma manta, e chegue-se para o lume, que eu vou deitar-lhe um punhado de vides para o espertar.
E seguindo conforme disséra, separou umas poucas de vides d’um mólho, que estava perto da chaminé, quebrou-as umas poucas de vezes sobre o joelho, deitou-as no brazido, e entrou a assoprar até que pegou labareda.
—Deus lhe pague, tanto incommodo, tio Joaquim, exclamou o desconhecido, seguindo á risca as indicações do hospedeiro.
Este, admirado por ouvir o seu nome, attentou no recem-chegado, e como procurando avivar recordações:
—Espera, eu já ouvi esta voz, mas não me lembro aonde; olha bem para mim: eu conheço-te, já vi a tua cara, isso vi.
—Tão mudado estou que já se não lembra de mim, do Thomaz...
—Do Thomaz da tia Annica, se lembro! Mas quem tal havia de dizer, que mudança! Pareces um velho, homem, e eu que te fazia a arrebentar de dinheiro, que pensava que estavas pôdre de rico, lá por esses Brazis!
—Pôdre ia estando, ia; mas era de doenças e de fome...
—Então nem tudo que se diz?...
—Ora uma coisa é dizer, outra é vêr, nem o tio Joaquim faz uma idéa!