—Tambem as flôres do campo não fallam, não cantam e não se mechem. Entretanto ninguem diz que ellas são tristes.

—Em que pensas tantas horas a fio, Thomaz?

—Olha, Agueda, tens bom coração?

—Já hontem me fizeste essa mesma pergunta, e o que hontem te respondi, te respondo hoje:

—Não fiz nunca mal a ninguem, nem o desejo.

—Pois um dia te direi em que eu penso.

—E porque não ha de ser hoje?

—Ainda não tenho confiança em ti.

Repetiram-se os encontros. Todos os dias, pelas mesmas horas, Agueda se encaminhava para aquelles sitios, e quando a sombra lhe dizia que ella estava para chegar, Thomaz esperava a com a vista, fitando os olhos no atalho por onde havia de apparecer.

Pouco a pouco a indifferença apathica de Thomaz foi desapparecendo. Fallava mais, e contava historias de avesinhas e de flôres a Agueda maravilhada.