—Esquecer-te, eu! E a minha existencia de até hoje, que foi sempre tua, e a minha fé no futuro, que estava em ti, e a minha vida toda, que te pertence; queres que esqueça tudo?... Se não fôra minha mãe!...
—Tua mãe!
—Sim, minha mãe, pobre e santa velhinha, que não tem no mundo mais do que eu, que lhe queira e que a ampare. Minha mãe, que eu mataria se morresse; minha mãe, a unica que me tem tido amor na terra!...
—A unica! Talvez...
—Olha, Rosa, escusas de fingir, para quê? Não vale a pena. Ámanhã por estas horas já estarei d’aqui bem longe. Só o que te peço, como um ultimo favor, como uma esmola, é que te lembres de minha mãe, que lhe enxugues as lagrimas, que chores com ella,—não te ha de custar muito, sabes tão bem illudir!—e que depois uma e outra vez te lembres de que te amei... e muito.
—Pela alma da minha te juro, ha de ser minha mãe.
—Obrigado, Rosa. Adeus!
—Não me queiras mal.
—Não poderia, ainda que quizesse.
—Não queiras, Estevam, não, que t’o não mereço, perdôa-me e... não te esqueças de mim!... Meu pae, que nos vê, foge Estevam, elle encaminha-se para este lado.