Perto d’ali corria a agua de um boeiro do muro; levantou-a em seus braços, poisou-a n’um marco, proximo do jorro, e ás mãos cheias lhe espargiu o rosto; depois ao vêl-a tornar-se á vida, curvou-se, aproximou-se mais da amante como para lhe transfundir a vida, que lhe sobrava, e tão perto lhe afflorou os labios, que dir-se-ia um rapido beijo unira por instantes as duas apaixonadas boccas. O osculo chamou á vida e á realidade a desgraçada Rosa, que desmaiara enlevada nos gostosos sonhos de uma felicidade, que lhe era defeza.
—Ai, Estevam, estâmos perdidos, exclamou a misera acordando de todo, quasi nos braços do amante.
—Perdidos, Rosa!... Que dizes!
—Meu pae... quer que eu case com o Januario.
—E tu!
—Eu, Estevam!... meu pae amaldiçoa-me.
Foi então, que elle ia desmaiando tambem. Cambaleou, encostou-se á parede para não vergar, e foi-lhe preciso grande força de vontade para resistir.
Resistiu porém, e como se lhe arrancassem esta exclamação do fundo da alma:
—Pensei, que me tinhas mais amor!...
—Deus te perdoe, Estevam, por duvidares de mim.