Insaciavel, hysterica, nervosa, sentou-se á mesa pela segunda vez n'aquelle dia. Provou de tudo sem comer de nada. Bebeu um gólo de malvasia e fez-lhe uma careta insupportavel. Limpou os labios de coral e mandou arranjar o trem.
Prompta a carruagem e calçadas as luvas dirigiu-se para o theatro de D. Maria.
Representava-se a Vida de um rapaz pobre n'essa noite. A Viscondessa admiravel de bellesa e encanto, provocava de continuo os binoculos das plateias.
No fim do 3.o acto a porta da frisa abriu-se. Era Alfredo que entrava. A Viscondessa sorriu-se.
--Sabe, Alfredo, que o esperei hoje todo o dia?
--E não o ter eu adivinhado, senhora viscondessa?
--Se imaginasse o aborrecimento em que vivo decerto não seria tão cruel para commigo.
--Mas, minha senhora, a minha posição... emfim... eu não sei...V. ex.a...
E a orchestra, tocando uma symphonia, deu o signal de despedida.
--Alfredo, enleiado e timido, sahiu da frisa. A Viscondessa cumprimentou-o, e, como sempre sorriu-se tristemente. O espectaculo continuou.