Á sahida do theatro, quando a Viscondessa, acompanhada por um creado, punha o pé direito no estribo da carruagem um desconhecido, abeirando-se d'ella entregára-lhe um pequeno bilhete, ligeiramente perfumado.
Os cavallos partiram a galope. Apenas chegada a casa, a senhora, toda receio e anciedade, abriu o bilhete.
Desengano, desengano cruel! Não era de Alfredo a letra...
Mas de quem poderia ser? A quem attribuir aquellas palavras ardentes?
«Amo-te--escrevêra o anonymo.--Doidamente te amo. Tu decidirás da minha sorte. Sou pobre, sou operario. Embora! Hei de conquistar-te ainda mesmo atravez do sangue do meu rival.
--Sempre é muito atrevido!...--exclamava a viscondessa, despindo-se já.
Acendeu depois um charuto, um excellente charuto havano.
A pouco e pouco foram-se-lhe os olhos estreitando. Para um lado pendeu a cabeça abrasada, e para outro o braço, cuja mão deixava cahir o charuto, quasi apagado.
Languida, abatida, sensual a senhora adormeceu finalmente.
Virginia chegára pé ante pé e retirára a luz. O palacete, envolto em trévas, acompanhára o somno da sua rainha.