E assim se passava a vida da Viscondessa.

[III]

Alfredo

Alfredo da Silveira nascêra embalado pelos sorrisos da fortuna.

Teve uma casa que vendeu. E que bonita casa! Situada na orla da praia extendia-se deante d'ella o oceano como um vasto lençol, cujas dobras phantasticas se encolhiam e desencolhiam, consoante as horas e as marés.

N'essa casa viu a luz Alfredo. Ahi, envolto com o maternal carinho, aprendera elle a entoar as primeiras trovas da infancia; ahi tambem suspiroso, como um lago, e candido, como o céu, aprendêra a ser um filho honrado e um cidadão benemerito.

Mas a infancia, esvaecida n'uma manhã de rosas, deixára após de si o lucto de um coração e a orphandade de uma familia.

A solitaria vivenda, circundada de festões e madre-silvas, sentira-se isolada e triste. Na viração da tarde já as flores silvestres não derramavam, como outr'ora, uns aromas tão vivos e tão profundamente salutares e amenos.

Ausentara-se dali a mulher angelica, boa, virtuosa, cujo espirito, evolado nas azas da saudade, fôra perante Deus rogar pela felicidade de seu unico filho.

E Alfredo chorou e chorou deveras...