--Quer v. ex.a conceder-me esta valsa?--diz um cavalheiro, offerecendo o braço a uma gentil dama de vinte annos.

E entrou no turbilhão.

--Mas perdão, senhora viscondessa... bem vê que na minha posição...

--Acompanhe-me, Alfredo.

E os dois seguiram para uma saleta proxima, situada á direita do salão.

Os creados serviram o chá. Na varanda fumavam e conversavam os cavalheiros. Algumas senhoras refaziam a sua toilette, em parte desfeita pelos ardores da dança.

--E acredita a senhora viscondessa, que eu realmente lhe podesse ser affeiçoado nas condições em que me acho?

--E por que não, Alfredo, se eu o amo loucamente.

Um leve ruido interrompeu o dialogo.

A saleta era assaz confortavel. Uns moveis escuros a guarneciam tristemente. Ao longo da parede destacavam uns quadros sombrios, meigos, phantasticos. Em cima do fogão agitava-se o pendulo do relogio, como se effectivamente nos quizesse recordar uma pulsação dolorosa.