Á beira do despenhadeiro tivera Julio o seu anjo da guarda.

Abençoada a mão, que n'um raio de amor nos traz a esperança e a consolação!

[XV]

Primeiros amores

Um sol ardente batia de chapa sobre um eirado de pedra, em cujo espaço se abrigava cuidadosamente o fructo de uma boa colheita de milho.

Ao lado, e fóra do alpendre, elevavam-se tres medas de palha, unico alimento annual, aos pacientes trabalhadores d'aquelle campo.

Por entre as louras e amontoadas espigas brincavam em candida innocencia duas formosas e galantes creanças.

A tarde declinava docemente. No pinheiral longinquo gemia a rôla uns tristes e magoados queixumes. Os cantos jubilosos dos lavradores iam perder-se nas solidões distantes. O céu era sem nuvens; e as aguas de chrystal, mansas e innocentes, como as lagrimas de uma creança, deslisavam com ligeiros attritos, atravez dos terrenos pedregosos.

Um cão preto, guardador de gados, saltando alegremente, annunciára em repetidas curvas, a proxima chegada de seu dono.

A pouca distancia d'ali assomou logo um velhote de rosto prasenteiro e agradavel. As duas creanças, erguendo-se de um pulo, desappareceram por entre a sombra do arvoredo.