Apenas um moço, altivo, de tez morena e bronseada, permanecêra na mesma posição sem dar por cousa alguma do que em de redor d'elle se havia passado.
O velho chegou, trazendo os dois pequenos pela mão. Olhou com piedade para a estatua da tristesa, que tão profundamente o impressionava, abeirou-se d'ella, e prorompeu nos seguintes e magoados termos:
--Então que é isso, meu Julio? tão triste e pesaroso? já lhe não valem de nada as palavras d'este velhote, que tanto do coração lhe quer? e esta familia que é a sua? Ora vamos, mostre-se alegre para comnosco. Aperte-me esta mão que é rude, mas honrada. Seja-me franco, se alguma cousa o afflige. Nada receie. Olhe que todos nós o estimamos devéras.
--Meu Pae...--exclamava Julio, debulhado em lagrimas,--meu bom Pae...
O lavrador, puxando por um lenço encarnado, que habitualmente trazia no bolso direito da jaqueta, muito de soslaio limpou os olhos humedecidos. As duas creanças, acompanhando-o, como que por instincto lhe beijavam as mãos bemfazejas.
O sol, atufando-se nas aguas do oceano, reverberava por sobre a terra silenciosa os seus derradeiros raios. A brisa era tépida, como a noite. Algumas folhas sêccas, prenuncio do outomno, alastravam o sólo.
Julio entrara-se em doloroso scismar. A sós comsigo mesmo, pensou muitas vezes no suicidio, companheiro e amparo dos que soffrem. Mas não. Uma esperança o alimentava. Um vago ideal o seduzia.
Após profundo meditar alçou a cabeça para o céu. A imaginação cedera o seu logar á intelligencia. Julio estava salvo. A seu lado respirava um archanjo celeste.
Olhou. Cecilia, a pomba immaculada, depositara aos pés do seu amante uma bolsa, cheia de libras, thesouro de trabalho e de economia.
Que esplendida creança! e que nobilissima abnegação!