--Tu aqui, Cecilia?...

--Sim, aqui, ao pé de ti, meu Julio. Tudo adivinhei. Se é preciso que partas, parte: vae procurar a fortuna, por que tanto anceias. No entanto lembra-te sempre de que deixas n'esta casa não só um pae que te estima mas tambem uma mulher que te ama.

--Cecilia, meu doce amor, como eu quizera ser feliz comtigo. Mas tu bem vês, minha filha: sou pobre, nada tenho. Repudiado pela sociedade, que me julga um criminoso, apenas a tua e a minha desgraça poderia fazer n'este momento. Parto ámanhã. Com o nome mudado, entrarei n'uma fabrica. Trabalharei, trabalharei muito. E tu, Cecilia, que és boa e meiga, como as estrellas do céu, não me esqueças nunca nas tuas piedosas orações. Deus ha de ouvir-te, porque Deus tambem é bom. Um dia, quem sabe? voltarei rico a esta casa. Tenho fé em Deus que hei de voltar. E tu tambem tens fé, não é assim, Cecilia?

--Fé, meu amigo, só eu tenho na morte. Alguma cousa me diz que a felicidade não foi feita para nós. Paciencia. Que, ao menos, o céu nos receba!--é este o meu maior desejo.

Um curto, mas doloroso intervallo se seguiu a estas palavras. Cecilia, sufocada pelos soluços rasgava com os proprios dentes as pontas do avental, chorando amargamente.

Julio envidava todos os seus esforços afim de a consolar. Nem um nem outro, porém, sabiam o que faziam.

--Vamos, meu Julio, assim é preciso. Animo, animo e adeus...

Um abraço os reuniu; e um beijo--um prolongado e triste beijo os separou.


Oito dias depois, Cecilia mostrava a seu pae uma carta de Julio, cuja leitura elle terminou chorando.