[XVII]
Allucinações
Quando alguma ideia nos preoccupa o espirito fortemente, o nosso primeiro movimento é estar só, isolado, em intimo colloquio com os nossos desejos.
Momentos ha em que aborrecemos a luz, como supremo escarneo aos nossos soffrimentos. N'este caso é a conversa de estranhos muitas vezes levada á conta de uma ironia pungente. Queremos fallar, e não podemos. Desejamos abrir os olhos, e conservamol-os fechados. Esforçamo-nos por chorar, e as lagrimas não correm. Então, sequestrados da sociedade, e a sós com a nossa dor, imploramos de Deus o soccorro da morte e a hora suave do passamento.
Julio estava perdido. Tentou ser homem, mas embalde.
Pela primeira vez na sua vida entrou n'uma casa de jogo. A sorte foi-lhe adversa.
Com os cabellos em desalinho, os olhos chammejantes, e o corpo numa ancia infernal, entrou o apaixonado moço n'um botequim.
Bebeu, e embriagou-se.
A paixão é muitas vezes creança. O amor é caprichoso, quasi sempre doentio, e por via de regra em extremo exigente.
Ora a febre tem um periodo de excitação, o qual, apenas terminado, gera o aborrecimento e um indefinivel mal-estar.