O gato aquecia, o cão lambia, e as aves entretinham, cantando.
Emfim bateram quatro horas. A Viscondessa bocejou mais uma vez.
--Se elle, ao menos, me amasse...--dizia ella, erguendo-se.
E, continuando pelo corredor, entrou no boudoir, onde a esperava a cabelleireira.
Vestiu um chambrão de cachemira azul; e, sentando-se na cadeira que lhe offereceram divagou, ao acaso, durante uma hora.
Quando acordou estava realmente encantadora.
O cabello, frisado a capricho, imprimia-lhe um aspecto senhoril e grave. O rosto desanuviara-se-lhe. Foi ao espelho, e, como flôr que ao sol desabrocha, sorriu-se maliciosamente.
--Achas-me bonita, assim?--perguntou ella a Virginia.
--Deslumbrante--minha rica senhora.
E a viscondessa, toda vaidade e tentação, foi-se até á cosinha, pretextando umas ordens para o jantar.