Isto quer dizer, que a iniciativa individual só é fecunda, quando coroada pelo esforço collectivo. Entregue e abandonada a si, raramente consegue vencer.
Os homens só são grandes e só poderão chamar-se heroes, quando vivem para os seus semelhantes, quando os seus corações pulsam e vibram com o coração do povo, n'um mesmo ideal e n'uma mesma aspiração!
[Os heroes]
Serão, porém, admissiveis os heroes?
O proprio tribuno, no seu famoso discurso da Charles et George, illuminado pelo mais ardente patriotismo, repudia-os com aversão. Detesto os heroes todos. Os heroes são excepções monstruosas da nossa natureza—dizia elle.
Aqui revela-se o precursor do pacifismo, isto é, da justiça integral e da paz universal, que hoje preoccupa e absorve todos os grandes pensadores do Universo. Porque José Estevão foi, principalmente, um illuminado, um vidente, um precursor, como tentarei provar na sequencia do meu discurso.
José Estevão repudiava certamente os heroes que se assignalam nos campos da batalha, devastando como cyclones, matando como assassinos, roubando como ladrões, os heroes, synonimos de guerra e de conquista.
A guerra! Ironia pungente, sarcasmo cruel da civilisação!
Uma pobre mulher do povo amamenta o filho com o sacrificio do proprio sangue; instrue-o e educa-o com o sacrificio do proprio estomago; e, quando a creança se torna um homem, um operario, um trabalhador, de modo a poder amparal-a n'uma velhice repousada, vem a ordem soberana em nome da lei, e manda-o para os campos de batalha, como se mandam as rezes para o matadouro—para o matar...
Mas José Estevão não podia repudiar, com a mesma aversão, os heroes que se assignalam no campo do pensamento, melhorando as condições da existencia, tornando os homens mais felizes, porque elle foi a encarnação mais pura, mais viva, mais authentica d'esse heroismo.