Encravada no meio da Europa, com 2.500:000 habitantes, sem exercito permanente e sem marinha, a Suissa tem sabido impôr-se ao respeito e á consideração das outras nações, por uma administração modêlo e pela superioridade da sua constituição federal, a qual, no seu art. 2.º diz o seguinte:

«A Confederação tem por fim assegurar a independencia da patria contra o extrangeiro, proteger a liberdade e o direito dos confederados, e augmentar a sua prosperidade commum.»

Citemos ainda alguns artigos:

Não ha na Suissa nem subditos, nem privilegios de logar, de nascimentos, de pessoas ou de familias (art. 4.º).

A Confederação não tem o direito de manter exercitos permanentes (art. 13.º).

Todo o cidadão suisso é obrigado ao serviço militar. Os militares que, no serviço federal, perderem a vida ou arruinarem a saude, teem direito aos soccorros da Confederação para si ou para suas familias (art. 18.º)

A liberdade de consciencia e de crença é inviolavel (art. 49.º).

O livre exercicio dos cultos é garantido nos limites compativeis com a ordem publica e os bons costumes (art. 50.º).

A ordem dos jesuitas e as sociedades n'ella filiadas não podem estabelecer-se em parte alguma da Suissa, e toda a sua acção na Egreja e na eschola é prohibida aos seus membros (art. 51). O illustre publicista Emile Laveleye occupou-se, com toda a imparcialidade, da applicação da doutrina federal á organisação da politica franceza. Examinando, com o auxilio da historia, os diversos elementos sociaes, chegou á conclusão "que sem as liberdades locaes, provinciaes e communaes, a Republica é um titulo sem livro, uma instituição sómente nominal." Um dos grandes erros da «evolução—accrescenta—foi a destruição das assembléas provinciaes, e duvido que a França chegue a possuir a verdadeira liberdade, sem restabelecer de novo estas assembléas.[7]

Refutando as idéas unitarias e as suas consequencias desastrosas nos governos dos Estados, Laveleye accrescenta: «A Revolução commetteu uma falta, proscrevendo com furor o federalismo e os federalistas.» O federalismo era a unica forma de governo que houvera podido garantir a fôrça e a prosperidade da França, e os federalistas os unicos homens capazes de salvar a Republica. As Republicas que duram e prosperam são federações. Haja vista a Suissa e os Estados-Unidos da America. Temos em nós mesmos o typo do systema. Com effeito o organismo humano é composto de orgãos autonomos, mas subordinados a um centro regulador de todos os nossos actos externos. É uma verdadeira federação onde se observam os principios essenciaes, inherentes á theoria federalista: a unidade na variedade, a autonomia na solidariedade.