Bate-me o luar na face, e o meu olhar
Em lagrima saudosa se condensa…
Vejo-a deante de mim, como suspensa
Na sombra do ar.

E em seu liquido seio de esplendor,
Tua Imagem começa a alvorecer,
Pois toma corpo e vida no meu sêr,
Quando a beija, sorrindo, a minha dôr…

Ébria do teu espirito sagrado,
A radiosa lagrima estremece,
Emquanto a minha face empalidece
E o luar e a noite scismam ao meu lado…

E a comovida lagrima crepita…
Relampago de dôr… E nada vejo;
Pois nela está presente o meu desejo
E a minha vida fragil e infinita.

E a lagrima scintila, num adeus…
E, desprendida de meus olhos, ei-la
Já distante, no espaço: é nova estrela
Subindo aos céus…

MEDITAÇÃO

A nocturna lembrança consumida
Da tua horrivel morte dolorosa,
Enevôa de lagrimas a vida…

E sinto a luz tornar-se duvidosa,
Tocando a minha fronte que lhe gasta
A seiva etérea, a fluida côr viçosa.

O meu olhar maldito logo afasta
O Sêr que ás suas lagrimas empece,
E o perfil animado lhe desgasta!

O meu olhar as cousas anoitece…
E elas choram na sombra e na incertêsa,
A minha propria dôr… E eis que aparece,