Deante de mim, o Espectro da Tristêsa…
E tudo transfigura… E eu fico a vêr,
Como através da Morte, a Naturêsa…
O berço é cova. Que é nascer? Morrer.
Quem abre ao sol os olhos, escravisa
A alma, a luz espiritual do sêr…
Um rio de emoção, em mim, deslisa…
Para cantar se fez pequena fonte;
Seu canto é bruma pálida e indecisa.
E fito, de olhos tristes, o horisonte:
Nele me perco em nevoa: sou distancia…
Intima cruz a erguer-se em tôsco monte…
Vésper, sorriso de oiro, luz, fragancia
Da noite que amanhece, ao teu fulgôr,
Vejo Espectros que são da minha infancia…
Formas mortas que nem meu proprio Amôr
Anima,—ele que d'antes animava
A sombra, a pedra, as arvores em flôr!
E como outrora tudo me encantava!
Como perdi no turbilhão dos dias
O sabôr que nas cousas eu gostava!
Tristêsas são phantasmas de alegrias…
E entre Phantasmas vivo… Ó meus amôres,
Folhas mortas, outomno, ventanias!…
Sombras da meia noite! Mãe das Dôres
Em teu altar sósinho, na capela
Do monte sem romeiros e sem flôres!
Ó Noite! Virgem triste! Êrma Donzela!
Se eu fôra sombra de alma adormecida,
Silencio de alma, solidão de estrela?…