Meu Sêr heroico acêso em puro amor!
Sol comovido, ardente meio dia,
Trespassando de luz a noite e a dôr!

Meu Sêr, onde se muda em alegria
A corporea tristêsa; onde a Materia
Se faz alma perfeita de harmonia;

Meu Sêr que afirma o Bem, ante a miseria
Das transitorias cousas; que alevanta,
Contra a sombra do inferno, a Luz etérea!

Meu Sêr espiritual que, alegre, canta,
Se, por ventura, eu choro desolado,
E que os Phantasmas lúgubres espanta;

Meu Sêr creador do Espírito sagrado,
O Redemptor das lagrimas, dos ais;
Senhor dum novo Olimpo sublimado…

Novo Orféu nos Abysmos infernaes.

ESPERANÇA E TRISTÊSA

Minha tristêsa é peor que a tua dôr.
Um dia, no teu ventre sentirás
Reencarnar para o mundo o teu amor:
A mesma alma, o mesmo olhar… verás!…

Eu sei que ha de voltar; e assim terás
A alegria primeira, ainda maior…
E então, de novo, alegre ficarás;
Será primeiro o teu segundo amôr!

Mas eu que, antes do tempo, já declino,
Quem sabe se verei o teu Menino,
Numa edade em que possa compreender?