n’esse gosto;

que não vi melhor composto,

hei-o por gosto dos gostos,

jamais lhe virarei rosto.

As doutrinas estheticas de Bastiano de Sangallo (1481-1551) tambem apparecem citadas n’este Auto do Prestes: «el gran Sebastiano—fué la tinta, yo la pluma...» A corrente classica foi sustentada em Portugal por Francisco de Hollanda, que viajou pela Italia e se educou em Roma, vivendo na intimidade dos grandes artistas da Renascença.

Na Pintura reflecte-se o mesmo antagonismo; o chamado estylo gotico ou propriamente a influencia flamenga e allemã, representada em Gram Vasco, é substituida pelo gosto italiano, revolução determinada pelo sabio Raczynski na época de D. João III, entre 1530 e 1550, sendo os principaes renovadores Gaspar Dias, Fernando Gomes, Manoel Campello e Francisco Vanegas. Na Esculptura e Ourivesaria, o erudito Garcia de Resende, na Miscellanea, mostra um grande desprezo pelos artistas nacionaes, talvez mesmo com intenção de ferir o auctor da Custodia de Belem, dando a palma aos italianos:

Ourivisis e Escultores

São mais sotis e melhores.

A mesma preoccupação erudita fazia com que se não estudassem as chamadas leis do reino na Universidade, e todo o ensino incidisse exclusivamente no Direito romano. E como os Poetas eram geralmente jurisconsultos, como Sá de Miranda, Ferreira, Gabriel Pereira de Castro, André Falcão de Resende, Mousinho de Quevedo, era natural tenderem para a imitação da poesia classica, Gil Vicente, eminentemente nacional, satyrisa esta corrente juridica:

vereys com quanta graveza