Andaca, batendo-lhe no hombro:

—Mas, pelo seguro, a força do oráculo está em uma boa espada.

Viriatho apoiando-se na espada que tocava com a ponta o solo, vergou-a com garbo, como fiado na sua tempéra e flexibilidade; mas com espanto viu, que mão traiçoeira lh'a tinha destemperado, porque dobrava-se como se fôsse uma lamina de chumbo:

—Retorcem-se as espadas para serem enterradas com os guerreiros mortos!

Então Ditálcon, vendo a confusão que tomára o Cabecilha:

—Mesmo sem espada serás vencedor; o oráculo não mente.

Idevor tomou a espada torcida das mãos de Viriatho, e disse-lhe com alegria:

—Esta acabou já o seu destino; serviu emquanto o teu impulso generoso levantou o espirito de resistencia nas abatidas tribus lusitanas. Inspiraste confiança! as populações seguem-te, porque vêem em ti o restaurador da independencia, da liberdade, e do futuro glorioso da Lusitania. A nossa Lusitania é imperecivel. Aqui na Anta da Candieira guardara-se a Espada maravilhosa e invencivel, o Gaizus, escondido para não ser tomado e empregado contra nós pelo invasor estrangeiro, e sempre ignorado, por que até hoje não apparecera um filho d'esta terra capaz de a defender e sustentar a sua liberdade. Viriatho! o testemunho dos Antepassados proclama:—Nunca serás vencido! E é da sua sepultura, d'este Cairn sacrosanto que eu tiro a Espada invencivel, o maravilhoso Terçado que ahi se guardou até ao momento em que appareceste e te patenteaste digno de servir o Peito lusitano.

Dizendo estas palavras, Idevor metteu o braço pela pedra furada, e como revolvendo com a mão um thesouro invisivel, sacou com geito pelo buraco da lage um montante de aço.

Abeirando-se de Viriatho: