«A cativa, agora rainha, conhece pelo canto a voz do pae, e vê na physionomia do moço que o acompanha a expressão do namorado, dos seus primeiros amores, Alcimo.
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«O moço diz ao rei que é esculptor, e que fizera as estatuas mais bellas de Aphrodite para os templos de Héllade; e que se promptifica a fazer a estatua de Neéra.
«O Rei quer a estatua da esposa, mas com uma condição: Que o artista contemplando-a núa, logo que fôr terminada a obra elle morrerá, sendo assim a sua morte o véo do pudôr.
«O moço acceita a condição resoluto: Neéra pasma, receiosa. Começa o estudo das fórmas, das posições...
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«E quando os dois amantes sentiam mais ardente a paixão primeira, e Alcimo achava impossivel reproduzir no marmore tanta belleza, presentindo que a morte os separará para sempre, em um longo beijo assim lhe segreda:
—Que a mesma morte nos una!
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«E de noite fugiram ambos do palacio, entrando em uma barca, das que estavam varadas no porto de Coryntho: foram mar em fóra ao som da agua, fallando dos seus amores, vogando perdidos, e ja muito longe, aos primeiros alvores da alvorada, Alcimo cantava: