CAPITULO V
A REFORMA NA ESCOCIA

Preparação para a reforma, [pag. 137].—A antiga Egreja celtica o a Educação, [pag. 137].—A Escocia e o lollardismo, [pag. 138].—A Escocia e Huss, [pag. 138].—A Egreja romana na Escocia e a situação politica, [pag. 142].—João Knox, [pag. 141].—A Congregação e a Primeira Convenção, [pag. 142].—A Confissão escoceza, [pag. 144].—A rainha Maria e a Reforma, [pag. 145].—O Livro de Disciplina, e a Primeira Assembléa Geral, [pag. 147].—A educação, [pag. 148].—A morte de Knox, [pag. 149].—Os bispos tulchanos, [pag. 150].—André Melville, [pag. 152].—O Segundo Livro de Disciplina, [pag. 152].

Preparação para a Reforma.—A Escocia, longe do centro da vida europeia no seculo dezeseis, recebeu, apezar d’isso, a Reforma quasi tão cedo como a maioria dos outros paizes, e acceitou-a mais completamente do que elles.

A região tinha sido preparada para ella mediante a educação do povo, mediante o constante commercio entre a Escocia e as nações continentaes, especialmente a França e a Allemanha, e mediante a sympathia dos estudantes escocezes para com os primeiros movimentos religiosos na Inglaterra e na Bohemia; e por outro lado a condição da Egreja romana, a pobreza das classes aristocraticas, e a situação politica do paiz coadjuvaram em certa escala os esforços de aquelles que anhelavam por uma reformação religiosa na Escocia.

A antiga Egreja celtica e a Educação.—A antiga Egreja celtica na Escocia, que havia conservado a sua influencia no paiz durante perto de setecentos annos, tinha sempre considerado a educação do povo como um dever religioso. Os seus regulamentos declaram que é tão importante ensinar os rapazes e as raparigas a ler e a escrever como administrar os sacramentos ou tomar parte na intimidade das almas, que era o nome que davam á confissão. O mosteiro celta era sempre um centro educativo, e n’alguns casos a instrução ahi ministrada era a melhor que se podia obter fóra de Constantinopla. Carlos Magno, ao estabelecer aquellas escolas superiores, que depois se tornaram as mais antigas universidades da Europa, procurou nos mosteiros celtas os primeiros professores. Quando a Egreja celta da Escocia cedeu o logar á Egreja romana, o seu systema educativo foi, em grande escala, adoptado, e a educação na Escocia continuou a ser muito melhor do que se poderia esperar do seu estado de civilisação.

As escolas cathedraes e monasticas produziram um grande numero de professores e alumnos que desejavam ver os seus trabalhos continuados n’uma universidade como as que n’aquella epoca estavam apparecendo em toda a Europa.

Ao principio os poucos recursos do paiz obstavam á fundação de universidades na Escocia, e mediante uma provisão feita pelo rei e pelos bispos foram enviados os melhores estudantes a Oxford, Cambridge e Paris. Professores viajantes foram da Escocia, com um certo numero de estudantes, aos centros, inglezes e continentaes, de instrucção. E era frequente que os jovens escocezes permanecessem fóra da patria na qualidade de leccionistas ou estudantes nomadas.

A Escocia e o lollardismo.—Este contacto academico approximou muito a Escocia dos grandes movimentos intellectuaes da Europa. No período em que os estudantes escocezes iam em grande numero para Oxford, Wycliffe exercia o professorado, e o lollardismo triumphava na grande universidade ingleza. Os estudantes escocezes voltavam contaminados com as maximas constitucionaes e as aspirações religiosas dos grandes homens de Inglaterra, e o lollardismo propagou-se na Escocia. Depois das universidades de Aberdeen, Glasgow e St.º André terem sido fundadas, no seculo quinze, os velhos arquivos dizem-nos que as auctoridades ecclesiasticas effectuaram inspecções com o fim de expurgar o corpo docente dos erros de Lollard. A seu devido tempo, o lollardismo passou das universidades para o publico, e os primeiros chronistas da Reforma nunca deixam de se referir aos lollards, ou homens biblicos de Kent, e á entrevista que tiveram com James IV.