Os bispos obrigaram a rainha a declarar-se contra as imagens, os crucifixos, a agua benta e o celibato do clero, isto é, contra todas as coisas que ella desejaria conservar; e compelliram-n’a a acceitar o Artigo vigesimo nono, que defende a theoria calvinista da Ceia do Senhor.
Se os bispos tivessem tido liberdade de acção, haveria logar na Egreja de Inglaterra para os não-conformistas da actualidade, pois que a sua queixa, começando por ahi, não era contra o governo episcopal, mas contra os symbolos e ritos supersticiosos que lhes foram impostos pela rainha e pela sua Commissão: difficilmente, porém, haveria logar para os modernos ritualistas anglicanos.
Devem a posição, que legal e historicamente lhes deve ser concedida, a duas coisas—(1) á supremacia real, que teve a força sufficiente para reprimir e ter sujeito a si o episcopal e nacional desejo de uma Reforma completa; e (2) ao facto de a uma numerosa parte do clero de Inglaterra serem tão indifferentes as mudanças que poderam conservar-se no exercicio das suas funcções durante os reinados de Eduardo, Maria e Isabel, isto é, sob o systema puritano, romanista e anglicano.
A supremacia real deu á Egreja de Inglaterra o caracter claudicante da sua reforma, e habilitou as pessoas que vivem actualmente a fallar dos principios catholicos, isto é, medievaes, da Egreja ingleza.
Os historiadores teem mostrado que Isabel tinha necessariamente de proceder da maneira cautelosa como procedeu, e, com aquella prepotencia que a caracterizava, obstar a que a Egreja do seu paiz se reformasse por completo. Ha alguma verdade no seu criticismo. Foi, comtudo, uma politica myope, que só tratava de acudir ás primeiras necessidades, e que obedecia muito ao principio de «depois de mim o diluvio.» Foi a supremacia real de Isabel, imposta mediante o tribunal da Alta Commissão, que preparou o caminho para a revolta puritana no reinado de Carlos I e para o dia do Negro Bartholomeu no reinado de Carlos II. Se a Egreja de Inglaterra tivesse sido entregue aos seus instinctos espirituaes, se a sua acção não tivesse sido contrariada pelo erastianismo, poder-se-hia ter evitado estas duas calamidades.
IV PARTE
OS PRINCIPIOS DA REFORMA
Capitulos: