—Deus seja n'esta casa, disse ella, olhando ao mesmo tempo para Mascatudo.

—Amen, respondeu este, cravando os olhos no rosto cadaverico da intrusa.

—Então como vae isso hoje lá por baixo a respeito da febre, perguntou o caixeiro, que já sabia que era a hora em que ella vinha da baixa.

—A colera de Deus continua a castigar os peccadores, respondeu a misera abaixando ao mesmo tempo a cabeça. Hontem, continuou ella, disseram-me que houve uma mortandade espantosa. E estes herejes do sitio sem fazerem uma procissão como tantas vezes lhes tenho pedido!

—Porque não mette n'isso o mestre Jeronymo? perguntou o caixeiro á tia Monica, piscando ao mesmo tempo o olho para Mascatudo.

—Cruzes! Credo! Virgem da Soledade! Pedir uma coisa d'essas a similhante creatura! De que Deus me livrasse, sr. André!

—Pelo que vejo, não é muito amiga do nosso visinho!

—E como queria o senhor que uma mulher como eu fosse amiga de similhante homem?

—Pois olhe, basta o que elle fez pela tia Marianna, para mostrar que tem bom coração. Lá o que é verdade, deve-se dizer sempre! Ha de haver mez e meio, proseguiu o caixeiro voltando-se para Mascatudo, foi aqui atacada uma mulher pela febre amarella, e ninguem se atreveu a entrar em sua casa; a unica pessoa que o fez, foi Martha, a filha de Jeronymo. Com tanto amor a tractaram, que hoje está viva e sã.

Mascatudo sorriu d'alegria ao ouvir a boa acção de Martha.