—E quem é elle? perguntou avidamente a filha de Tristão de Almeida.
—É o commandante da galera Esperança. Tem estado muito doente. Ha mais de quinze dias que não sae de bordo!
—Meu Deus! disse Magdalena, eis o motivo porque nunca mais o pôde ver!
—Quanto ao resto, accrescentou a beata, posso-lhe dizer quasi com toda a certeza, que alli anda cousa, e anda por isto:—Ha tempos estando eu na tenda do Melro, entrou um homem de tracto do mar e começou a perguntar informações de Martha. Esse individuo não tinha sido senão alguem mandado por elle, para saber se se portava bem ou mal.
—E o que lhe respondeu, tia Monica?
—Que queria a menina que lhe respondesse! Póde-se julgar mal d'uma pessoa que anda na companhia de dois anjos, como as minhas duas meninas? Embora eu soubesse quem esta familia é, a minha bocca nunca se me teria aberto para dizer similhante coisa!
—Parece-lhe portanto que as minhas suspeitas eram bem fundadas?
—Se me parece! E faça se bem! As meninas a protegerem aquelle traste, e ella pagando-lhes assim!
—Isso não, tia Monica! Pobre rapariga, que culpa tem ella do que se passa no meu coração? O mal que me está causando é involuntario, e tão involuntario que ella propria o desconhece; e demais, se ha alguem culpado em tudo isto, sou eu, eu apenas.
—E pensa a menina, que um rapaz como esse tal sr. Manuel de Mendonça, possa descer a olhar para uma mechanica? uma reles filha d'um operario, tendo a palpitar pela sua pessoa, um coração nobre e generoso como o da minha rica menina? Para que havia Manuel de Mendonça querer a filha d'um operario: só se fosse para ser sua criada.