—Que é toda moral, e portanto mais difficil de se lhe encontrar o curativo.
—E a que attribue a senhora isso? perguntou Magdalena fitando a mulher do operario.
—Eu sei! respondeu esta, tornando a resumir-se ao silencio.
—Seja sincera commigo, sr.ª Balbina, e lembre-se que ninguem n'este mundo será capaz de ser mais amiga de sua filha do que eu sou.
—Creio o bem, minha senhora.
—Pois então porque não abre commigo a sua alma? Diga me não deposita em mim bastante confiança no meu caracter? Olhe, continuou Magdalena, descobrindo inteiramente o rosto. Diga-me se n'estas feições adivinha a menor sombra de hypocrisia?
—Por Deus, minha senhora! acudiu rapidamente a mulher de Jeronymo.
—Pois então, Balbina, se acredita na lealdade de minha alma, seja sincera commigo, e fale-me como se eu fosse uma outra sua filha. Não imagina o prazer que me vae dar. Como eu serei feliz podendo desabafar n'um coração de mãe, quanta dôr existe n'este meu pobre peito.
—Já que tanto insiste, minha senhora, vou confiar-lhe um segredo, que nunca me teria atrevido a revelar, se não fosse conhecer a nobreza da sua alma! O que a minha filha tem, é uma paixão, paixão que a leva á sepultura.
—E esse homem que lh'a inspirou, é?... perguntou Magdalena, como se ainda uma pequena esperança lhe restásse.