—Esse homem é o commandante da galéra Esperança, o mesmo que descobriu aonde estava meu marido, na noite do dia em que foi atropellado por seu excellentissimo pae.

—Manuel de Mendonça! exclamou Magdalena.

—Elle mesmo!

—E elle?

—Nunca mais o tornou a ver.

—E como soube tudo isso? perguntou Magdalena.

Balbina então contou-lhe quanto se havia passado entre Jeronymo e a filha, não lhe omittindo a circumstancia d'estas terriveis palavras: «esse homem é amado pela filha do nosso protector.» Magdalena pensou morrer. A nobreza d'alma d'aquelle anjo, deixando se descer á sepultura, sem interromper o sentimento que dominava o coração de Magdalena, a sua generosidade, abandonando-lhe por assim dizer aquelle homem que ella amava, e de quem tinha a certeza de ser correspondida, tudo concorreu para que no seu coração immenso tambem como o de Martha, se formassem mil conjecturas tendentes todas á generosidade.

«Morrerei, pensava ella, mas salvarei este anjo que tão nobremente se me sacrificou. E que m'importa a vida? De que me serve este eterno martyrio? Vivam! que vivam para serem muito felizes, e abençoarem a minha memoria se eu concorrer como espero para a sua ventura!»

—Bem, ajuntou Magdalena voltando-se para Balbina, vá ao quarto de Martha, veja o estado do seu espirito e se ella estiver mais tranquilla, quero-lhe falar.

A pobre Balbina sem comprehender o choque que este encontro poderia produzir na alma de sua filha, apressou-se em cumprir as ordens de Magdalena.