Certos e mais do que certos se tornaram os seus receios, a viagem durou mais onze dias do que esperavam. Não havia tabaco a bordo!

Dizendo mal á sua vida, a tripulação debalde vasculhava os mais reconditos escaninhos das algibeiras! Ninguem fumava! Um marujo apenas seguia no seu eterno ruminar. Era o tio Luiz.

—Forte velhaco! diziam uns.

—E eu que ainda o outro dia fui tão tolo que lhe dei dois charutos havanos!

—E eu, acudiu outro, perto de meia quarta de rollo. Daria agora por elle um mez da minha soldada.

—Um raio me parta se aquelle marau me apanha mais um cigarro em toda a sua vida, dizia com voz rouquenha o timoneiro.

—Arrebentado morra eu da sobre gata se aquelle arenque de fumo me leva mais uma cachimbada, acrescentava um velho marinheiro.

E gritando e vociferando, iam todos contra o tio Luiz, e elle sempre sereno, tranquillo, ruminando e salivando ao mesmo tempo.

Finalmente chegaram a Macau.

Á tarde, o commandante chamou o tio Luiz e ordenou-lhe que se vestisse afim de o acompanhar a terra.