Balbina então relatou a Manuel quanto havia succedido, sem lhe omittir os rasgos de generosidade de que era devedora a Tristão e a toda a sua familia.
—E quem é esse homem tão caridoso? perguntou Manuel, como se já n'esse instante se lhe começasse a perturbar o espirito com a idéa de que essa protecção fosse menos devida á caridade do que á formosura de Martha.
—Quem é elle, não lh'o podemos dizer, respondeu Balbina. Sabemos apenas que é um senhor muito rico, e que todo o seu fim é fazer bem á pobreza. Agora vae elle estabelecer um hospital para as pessoas atacadas pela febre, hospital de que meu marido é o encarregado.
—E não só elle, como sua mulher e filhas, se tem interessado o mais possivel por mim, ajuntou Jeronymo.
—Nunca me ha de esquecer aquella noite, menina, tartamudeou Manuel dirigindo-se a Martha.
—Quanto lhe devemos, meu caro senhor, acudiu o operario, olhando ora para Manuel, ora para a mulher e para a filha.
—Como elle se portou com a nossa filha! Não temos modos de agradecer! disse Balbina visivelmente reconhecida.
—É merecedora de tudo! Nada tem que me agradecer, respondeu Manuel olhando ao mesmo tempo para a interessante Martha.
Quando a filha do operario, mais familiarizada com a presença do maritimo, se preparava para lhe dirigir a palavra, soaram uns passos no corredor e abriu-se em seguida a porta do quarto.
Eram Tristão e o visconde.