«Tectos que vistes expirar meus paes, que impia mão de atroz capitalista te manchará o culto? Aqui nasceu meu avô, aqui morreram todos os que tiveram melhor senso do que este desgraçado! «Soberbo choupo para me enforcar com o cordão do meu chambre», dizia elle como se quizesse zombar de si mesmo e contemplando ao mesmo tempo a arvore, que parecia convidal-o ao passo mais acertado que podia dar em toda a sua vida.

Abandonando estes lugubres pensamentos, o visconde sentou-se á carteira, e escreveu duas cartas, uma ao commendador, e outra a Vaz Mendes. Pedia em ambas a honra de virem almoçar em sua companhia.

Tocou a campainha e entregando as cartas a um criado para que as levasse sem demora ao seu destino, o visconde deu ainda algumas voltas pelo jardim e dirigiu-se á casa de banho.

Ao meio-dia em ponto entraram Vaz Mendes e o commendador Lopes de Miranda.

—Quanto folgo me não tivessem faltado, disse-lhes o visconde conduzindo-os para a sala de visitas. Tristão, acrescentou elle, vem hoje almoçar commigo, era forçoso pedir que mais alguem lhe tornasse menos pezado o sacrificio. Vamos discutir largamente sobre o hospital. Sabem que já temos a casa arrendada?

—Sabemos, responderam ambos.

—Um magnifico palacio á Pampulha.

—O local não podia ser mais bem escolhido, disse o commendador reclinando-se n'uma poltrona. E quando principiam os arranjos? perguntou Vaz Mendes.

—Hoje mesmo; para esse fim os mandei chamar. Vamos comprar tudo o que fôr necessario para que principie a funccionar de hoje a oito dias.

—Realmente é um homem de muita caridade este Tristão, interrompeu Vaz Mendes, olhando para uma soberba aguarella de Howell.