Desses teus olhos divinos,
Que ternos, e socegados,
Enchem de flores os prados,
Enchem de luzes os Ceos?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te meu bem adeos.

Desses teus olhos em fim,
Que domão Tigres valentes?
Que nem rigidas Serpentes
Resistem aos tiros seus?
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te meu bem adeos.

Da maneira que serião
Em não vêr-te criminosos
Em quanto forão ditosos,
Agora serião réos.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te meu bem adeos.

Parto em fim, Dircéa bella,
Rasgando os ares cinzentos;
Virão nas azas dos ventos
Buscar-te os suspiros meus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te meu bem adeos.

Talvez, Dircéa adorada,
Que os duros Fados me neguem
A gloria de que elles cheguem
Aos ternos ouvidos teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te meu bem adeos.

Mas se ditosos chegarem,
Pois os sólto a teu respeito;
Dá-lhes abrigo no peito,
Junta-os c'os suspiros teus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te meu bem adeos.

E quando tornar a vêr-te
Ajuntando rosto, a rosto,
Entre os que dérmos de gosto;
Restitue-me então os meus.
Ah! não posso, não, não posso
Dizer-te meu bem adeos.

CANÇÃO.

Dês que vi, formosa Elvira,
Os teus divinos cabellos,
Esses vivos olhos bellos,
Que invéja dos astros são,
Foi-se, Elvira, foi-se embora
Toda a paz do coração.
E talvez, talvez que Elvira
Nem se lembre de que Alceo,
Se suspira,
Se delira,
He só por motivo seu.

Em quanto, Elvira, se occulta
A meus olhos teu semblante,
Hum minuto, hum breve instante
Parece que fim não tem.
Se alcanço de vêr-te a gloria,
Então vôa o tempo bem.
E talvez, talvez que Elvira
Nem se lembre de que Alceo,
Se suspira,
Se delira,
He só por motivo seu.