Finalmente a casa de detenção das Monicas não é sómente a negação do que devia ser, é mais do que isso, é a affirmação contradictoria de todos os principios oppostos aos principios verdadeiros.
Tal qual está constituido este estabelecimento, temol-o por um foco de apodrecimentos humanos, um seminario de vicios torpes e secretos, um curso accelerado de preparatorios infalliveis para o Limoeiro, para o hospital, ou para o cemiterio.
Uma derradeira observação:
A maior parte dos presos detidos na prisão correcional das Monicas são cumplices do crime de vadiagem.
Ora sendo aquelles presos todos menores, não tendo uma familia, não tendo um officio, não sabendo ler nem escrever, com que direito os pune por não trabalharem o Estado, que lhes não dá trabalho?
Que quer o estado que sejam esses pequenos para não serem vadios?
Quer que sejam medicos, tenentes coroneis, conselheiros do tribunal de contas, escriptores publicos, capitalistas ou banqueiros?
Vamos! respondam-nos! Estamos interrogando sob o caracter mais digno de attenção e de respeito de que se pode alguem revestir. Somos n'este momento os interpretes inviolaveis e sagrados da infancia orphã, desvalida e desamparada. Fallamos em nome de um pequeno que não quer ir para a prisão das Monicas comer os feijões frios do Limoeiro, no que está inteiramente no seu direito. É um innocente.
Todavia ninguem o chama para fazer artigos nos jornaes, ninguem o quer para commandar a Municipal, ninguem o incumbe de tratar uma molestia, de deffender uma causa, de montar uma fabrica ou de construir um navio. Nenhuma viuva rica lhe offerece a sua mão de esposa. Os agiotas quando elle passa levantam as bengalas e rangem os dentes. Não tem uma ponta de trabalho nem um bocado de pão. Finalmente é um vadio. Agora o que elle deseja saber é o seguinte: