«Esse reformador rigorista, traido pelo povo, queria todavia a revolução—tomada de alto, feita sem estrepito, consumada quasi sem revolucionarios.»
Ora aqui tem a Republica Portugueza como ha quem imagine, a solução dos actuaes principios revolucionarios em uma forma de governo de ha dois seculos. Quem teve a petulancia de imaginar isso, sem a previa licença da Republica Portugueza, foi Proudhon.
Depois de nos fazer as suas perguntas, a Republica tem a bondade de nos dar os seus conselhos. As perguntas satisfizemos-lh'as. Os conselhos não lh'os acceitamos. A ingenuidade pueril das interrogativas que a folha conimbricense nos dirige, annulla a competencia das admoestações que nos faz.
O folheto brazileiro intitulado Duas palavras aos leitores das Farpas, ultimamente publicado e distribuido em Lisboa a milhares de exemplares, tem por objecto contestar por meio dos processos aliás mais urbanos e mais comedidos, a verdade dos factos que asseverámos ácerca da sociedade e da civilisação do Brazil em um artigo consagrado á emigração portugueza para aquelle imperio.
Se o escriptor brazileiro a quem temos a honra de responder tivesse conseguido o poder alliar o alto espirito de amor patriotico, de que se diz dominado, com a prudencia de discutir simplesmente o criterio das nossas conclusões e não a verdade dos factos em que ellas se baseiam, nós não teriamos duvida em estender affectuosamente o nosso silencio aos pés triumphantes d'este sympathico patriota.
Como, exactamente pelo contrario,
São as nossas illações o que no dito libello se não contesta, e é a verdade dos factos citados o que se combate, denunciando-nos como fabricadores de aleives historicos phantasiados com o fim expresso de ridicularisar o grande imperio,—o que se parece demasiadamente a nossos olhos com a denegação da nossa probidade e com a suspeita de que mentimos,
Soffrerá o auctor do folheto citado que nos permittamos fazer-lhe sentir, em algumas linhas rapidas, que as Farpas não são inteiramente uma creação poetica e phantasista.