Pelo que respeita á instrucção publica, diz-nos que o numero dos que sabem ler não está, como nós dissemos, na proporção de 1 para 90 habitantes, mas sim na de 1 para 68. Sómente na estatistica official de que se extráe esse dado, o governo brazileiro não conta, como homens que habitam o Brazil, os escravos, cujo numero pode todavia ser calculado em cerca de tres milhões, não diremos de habitantes, mas, emfim, de cabeças. O auctor accrescenta ainda, para nos convencer dos progressos da instrucção no Brazil que as escolas de instrucção primaria que ali existem são na proporção de—1 para 3:021 habitantes livres; além do que ha ainda no Rio de Janeiro varias corporações scientificas e sociedades sabias, entre as quaes As duas palavras aos leitores das Farpas nos citam as seguintes: associação commercial, sociedade musical de beneficencia, sociedade auxiliadora da industria, associação typographica, instituto pharmaceutico, e finalmente a famosa associação dos guardas livros, sociedade jockey-club, tendo por fim promover o melhoramento da raça cavallar.

É realmente indigno, em vista de similhantes factos, que alguem se tivesse lembrado, como nós, de deplorar a defficiencia da illustração no Brazil, onde ha uma escola para cada 3:021 habitantes livres, e vinte sociedades sabias!

Que nos perdoem os grandes propagadores da sciencia, que nós desconheciamos antes da publicação d'este folheto! Que nos perdoem os senhores musicos, os senhores typographos, os senhores pharmaceuticos, e sobretudo suas senhorias os senhores guarda-livros do jockey-club, encarregados do melhoramento da raça cavalar!

No tocante á industria, aos dados da estatistica official que nós publicamos e dos quaes se deduz que tal ramo da actividade humana é quasi nullo no Brazil, oppõe o nosso contendor as seguintes animadoras palavras extrahidas de um Retrospecto commercial de 1872, publicado no Jornal do Commercio:

«Em quanto a emigração nos não trouxer levas sobre levas de operarios e de artistas, a industria manufactureira conservar-se ha como que apertada em um circulo estreito.»

Logo: nós inventamos os factos para «achincalhar» o imperio. A estatistica official da qual copiamos que em 1859 o numero dos industriaes brazileiros era apenas o da quinta parte dos industriaes extrangeiros residentes no Brazil, é falsa. A verdade suprema ácerca da industria indigena na America brazileira é que: É enorme e poderosissima a força expansiva do seu desenvolvimento. E tanto que, segundo os seus mais enthusiastas apologistas, ella vive «como que apertada em um circulo estreito.»

Do que tão clara e positivamente expuzemos ácerca da organisação viciosissima das differentes colonias agricolas no Brazil, das atrocidades pavorosas da feitoria do Mucury, dos textos tão expressivos que sobre este ponto reproduzimos dos relatorios enviados aos governos da Suissa e da Alemanha pelos seus delegados no Brazil os srs. Tschudi e Avé-Lallemant, acha bem o auctor das Duas palavras aos leitores das Farpas não discutir nem contestar palavra nenhuma. Diz-nos apenas que pediu sobre esse assumpto, o mais importante do nosso artigo, informações officiaes, que publicará logo que lhe cheguem do Rio de Janeiro.

Se espera esclarecimentos que desmintam os factos que nós referimos, não os terá nunca. A verdade é unicamente o que dissemos. As Farpas não fizeram mais do que historiar realistamente, sem declamações e sem objurgatorias, as causas que levaram a Suissa e a Baviera a prohibirem a emigração para o Brazil, e a proclamarem officialmente como catastrophe a colonisação agricola do solo brazileiro por trabalhadores europeus.

Em refutação do que affirmamos sobre a frequencia dos casos de alienação mental no Rio de Janeiro, diz-nos a obra que analysamos e estamos transcrevendo nas suas mais importantes partes, que apenas consta ao seu auctor um facto isolado em abono da nossa affirmativa, sendo certo por outro lado, segundo elle mesmo assevera, que no Rio de Janeiro existe um hospital de doudos sumptuosissimo e talvez no seu genero o primeiro estabelecimento do mundo.

Ora, para aniquilar inteiramente a opinião de que é grandissimo o numero de alienados no Rio de Janeiro, não basta dizer-se-nos que um vastissimo e monumental hospicio de doudos existe n'aquella côrte; importaria certificar tambem que as pessoas que enchem esse edificio estão—em pleno uso das suas faculdades.