Parece-nos ser um serviço em extremo subalterno prestado a alguem o publicar a historia de um dos seus antepassados á luz de uma critica cujas derradeiras consequencias são, como no drama do sr. Campos, a condemnação do mesmo antepassado a um genero de glorificação e de apotheose que elle só pode remir com a prisão correcional perpetua.

Na peça do sr. Ansúr o antepassado do alto personagem a quem elle a offerece e consagra apparece-nos satisfactoriamente levado ao crime por uma provocação cheia de solicitude e de cortezia. «Ha homem em casa. Com a creada? Não. Com a patrôa.» Este grito sublime de clareza e de concisão esparge no facto um raio de luz juridica e lança um immenso clarão de legalidade e de justiça sobre o chifarote brigantino destinado á perfuração das damas.

Nada mais tocante do que a situação do duque ao receber o fatal desengano:

Horror! Infamia! Anathema! Vergonha!
.......................................
Rompe-se-me do ser toda a harmonia,
Passa-se-me na mente extranha orgia!
Estalam-me no corpo algumas fibras!
Meu pobre espirito, que assim te libras
Do desespero na mortal esphera,
Não te consumas tanto! Acalma! Espera!
.........................................
Mofina dor me roe, me despedaça!
Emquanto descuidoso andara á caça,
Tu deliravas... tu... oh! que villeza!

E depois dirigindo-se ao pagem:

Arrepende-te dos teus peccados
Que os fios da tua vida estão contados!

PAGEM

Perdão! piedade!

DUQUE

Soffre com valor
Que mais soffreu par nós o Redemptor!
.....................................
.........................Alfim
Com o manchil Domingos cortará
A cabeça do pagem. Morrerá.