Outro tanto temos que dizer do cego. Unicamente para ver pelos olhos lesos, sem ir mais longe, tinha ahi o sr. Mascaró que lhe fazia o milagre no olho de cada lado n'um abrir e fechar do olho do lado opposto. Em Lourdes seria preciso, para sustentar os creditos da agua na sua devida altura, que o homem não só principiasse a ver pelos olhos mas que visse tambem por outros membros.
Isso então já valeria mais a pena de se contar, e comprehenderiamos que a Nação o publicasse em telegramma: «O padre cego appareceu-lhe um olho em cada buraco do nariz e está-lhe a vir outro na cova do ladrão, pelo qual já lê as suas rezas de costas na cama com o breviario por baixo do travesseiro. A paralytica já deitou seis pernas novas e está com dois grandes furunculos nos hombros: suppõe-se que sejam as azas a romper. Quando se lhe espremem os carnições bota pennas. Infinitos louvores sejam dados a Deus Nosso Senhor porque pela côr dos voadouros vemos que a paralytica nos sae pedrez!»
Isso, sim senhor, isso seria um soffrivel milagre, ainda que de segunda ordem, porque os ha muitos maiores.
Da virtude dos escapularios, por exemplo, contam-se e authenticam-se coisas ao pé das quaes tudo quanto a agua de Lourdes tem feito é zero.
O escapulario preserva o fiel de todos os males, preserva-o das doenças, das pestes, dos perigos da agua, dos incendios, do raio, das quedas, das balas, das sovas, etc. De tudo isto ha provas que não podemos pôr em duvida. No livro intitulado Virtude miraculosa do Escapulario demonstrada por casos de proteção, de conversao e de curas miraculosas, pelo revd.º padre Hugnet—Saint-Dizer, Paris, Lyon, Bruxelles et Anvers, 1869, todas essas virtudes se acham confirmadas com muitos exemplos.
Pessoas que caem do alto de enormes torres ficam intactas: nem um botão dos suspensorios lhes rebenta, e se estavam lendo o seu jornal no alto das torres, como algumas vezes succede, veem lendo n'elle pelo ar emquanto caem e continúam a leitura em baixo, traçando a perna n'um estado do satisfação ineffavel.
O sr. A. de L ..., tendo entrado na insurreição do Var, com um escapulario ao pescoço, recebe vinte e nove tiros, apparecem-lhe no fato os vinte e nove furos das vinte e nove balas: elle no entanto fica illeso. «Não nos foi possivel matal-o: tivemos de desistir!» disse por essa occasião um gendarme. (Obra acima referida, pag. 21)
No auge de um pavoroso incendio um devoto lembra-se de lançar ao meio das chammas o seu escapulario; o incendio immediatamente se extinguiu e o escapulario encontrou-se intacto. «Apenas, diz o padre Huguet na obra citada, se observou que elle cheirava um pouco a chamusco.» (Pag. 17.)
Um soldado na batalha de Novara vê cair em torno d'elle todo o regimento, elle é o unico ser que sobrevive: examina-se o soldado e acha-se-lhe um escapulario mettido na bocca e um em cada braço. (Pag. 20.)