A policia, tomada de um d'esses accessos de zelo intermittente que ás vezes acomette esta veneranda instituição, acaba, de assaltar varias casas de batota em Lisboa, no Porto, na Povoa de Varzim e em Vizeu.
Todas essas diligencias se fizeram com grande exito.
A policia foi pé ante pé, como o côro dos carabineiros nos Bandidos de Offenbach, e deu em cheio nas maroscas, capturando os jogadores e apprehendendo os baralhos, as roletas, a mobilia da casa, o dinheiro da banca e o dos parceiros.
O Diario do Governo d'ontem traz a este respeito uma portaria de louvor, na qual o ministro do reino, em nome de sua magestade el-rei, elogia a policia pelo bem que andou, não só capturando os jogadores, mas—como muito bem acrescenta a portaria—apprehendendo outro sim algum dinheiro e mobilia.
Como bons subditos fieis e amantes, folgamos de veras com a satisfação intima e cordial que sua magestade el-rei houve por bem experimentar e redigir em prosa official, ao ver os reditos do Estado felizmente acrescentados com algumas cadeiras e alguns cobres, agilmente surripiados pelos representantes da lei a viciosos cidadãos, improvidos e desapercebidos.
No Porto o zêlo policial n'esta diligencia chegou ao ponto de emboscar nas ruas os esbirros para prender os jogadores no acto de entrarem para as jogatinas.
Não pretendemos julgar o ponto de vista das auctoridades constituidas sobre o assumpto batotas, porque estamos convencidos de que essas auctoridades, morigeradas e pudibundas, não foram nunca ás casas de jogo, o que as desarma de toda a habilitação precisa para se poder discutir com ellas sobre esta questão.
O que escreve estas linhas esteve pela derradeira vez n'uma batota, em S. João da Foz, ha coisa de vinte annos.
A espelunca achava-se estabelecida no lindo cottage do Mallen, na Praia dos Inglezes, com um terraço sobre o mar e a entrada pela rua da Senhora da Luz.