Meu bem e meu mal
Lutaram um dia;
Meu bem era tal
Que o mal o vencia.
Camões glosou uma velha cantiga que começa:
talvez a mesma a que allude Gil Vicente na Comedia de Rubena, que principia:
De pequena matais (tomais?) amor.
Todos estes factos revelam o profundo sentimento da alma popular que possuia Camões.
No tempo em que os romances da tradição oral foram glosados pelos poetas cultos, como o declara a Poetica de Rengifo,[43] em Portugal soffreram tambem egual modificação. Bernardim Ribeiro glosou o celebre romance de Durandarte, desde o verso:
Oh Belerma, oh Belerma.[44]
Na Chronica de Dom Sebastião, de Frei Bernardo da Cruz, vem citado o romance de Don Rodrigo:
Ayer fuiste rey de España;
Hoy no tienes um castillo.[45]