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ROMANCES
COM FORMA LITTERARIA
DO
SECULO XVI A XVIII
ALVARO DE BRITO
Trouas á morte do principe D. Affonso filho de D. João 2.º
Morto he o bem d'Espanha,
nosso principe rreal,
chora, chora Portugal,
choremos perda tamanha!
E carpindo lamentemos
dous em huum triste responso,
rrey & prinçepe choremos
dom Affonso, dom Affonso!
Ho que morte tam estranha,
ho que nojo, ho que mal!
chore, chore Portuguall,
choremos perda tamanha!{[2]}
Ho que queeda tam sanhosa
pera chorar & carpir,
ho que queeda tam danosa
que nos fez todos cayr!
Ho quanta nobre companha
Sente tristeza mortall!
chora, chora Portugall
choremos perda tamanha!
Choremos, que tal cayda
por nossos grandes pecados
nos leyxa desemparados,
mata toda nossa vyda.
Que pesar nos acompanha,
que nunca foi visto tall;
he perdido Portugual,
choremos perda tamanha!
Choremos huum jnoçente,
huma santa creatura,
que por nossa desventura
morreo tam supitamente.
Ho que mall, que nojo, sanha,
que desemparo mortall
nota todo Portugual,
choremos perda tamanha!
Morreo nossa defensam,
& morreo nossa liança,
morreo nossa esperança
de nom vyr a ssogeyçam.
Asy nos desacompanha
nosso senhor natural;
o senhor çelestrial
o rreçeba em sa companha!
Cancioneiro Geral de 1516, t. I, p. 221.
Edição de Stuttgart.{[3]}